Fojo do Lobo Xertelo
Descrição
A Freguesia de Cabril alberga orgulhosamente um conjunto de obras criadas pelos seus povos, numa anciã guerra extinta entre o Homem e o lobo ibérico, monumentos ainda hoje preservados, os fojos, armadilhas que serviram as populações durante vastos anos com um poder histórico e cultural intrínseco. O Fojo de Xertelo foi o último a receber uma intervenção de recuperação, e provavelmente aquele que terá o registo mais antigo, com aproximadamente 250 anos, é um dos mais belos do Parque Nacional, e um dos que conseguimos apreciar quando iniciamos ou finalizamos o trilho nas imediações da aldeia com o mesmo nome. Este Fojo não era apenas usado pela pequena população de Xertelo, a sua localização geográfica fazia dele uma partilha nas batidas por parte também de São Lourenço, Chelo e Azevedo, pois partilhavam estes territórios serranos nos seus pastoreios.
Fojo do Lobo: Armadilha permanente e comunitária para capturar o lobo, animal que, durante séculos, abundou nas zonas montanhosas da Península Ibérica, e cuja coexistência com o ser humano nem sempre foi pacífica. Em territórios rurais povoados, um ataque do lobo podia comprometer todo o sustento da casa. Durante a Idade Média, altura em que se estima terem surgido estes exemplares de armadilha, o lobo usufruía de uma conotação mitológica e cultural negativa, sendo associado à bruxaria e às forças do mal. Estórias que alimentaram e contribuíram para a criação de um imaginário comum da existência do lobo mau.
Construídos normalmente em pedra, sem argamassa, eram localizados estrategicamente em zonas de passagem de alcateias. Consoante o modo de utilização e tipologia, podem ser divididos em cinco tipos: fojo simples, fojo de cabrita, fojo de paredes convergentes, o fojo de alçapão e o Corral.






