Ecomuseu de Barroso
A necessidade de salvaguardar um vasto património, nas suas múltiplas vertentes, levou o município de Montalegre a delinear um projeto, em 2002, capaz de assumir a responsabilidade de definir a estratégia de desenvolvimento local: o Ecomuseu de Barroso.
Este afirma-se como fiel representante da identidade do povo e motor de formação, participação, cooperação, inovação e mobilização. Com o objetivo de preservar a memória coletiva, foram criados Polos nos concelhos de Montalegre e Boticas.
Este espaço assume as funções de centro interpretativo do Território. Em espaços diferentes apresenta o território, as gentes e as crenças que se entrecruzam no ritmo do quotidiano do povo Barrosão.
Património Agrícola Mundial
Em 2018 a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura distinguiu a genuinidade do território de Barroso com base na forma tradicional de trabalhar as terras, de tratar do gado e na entreajuda dos seus habitantes. O comunitarismo é ainda um dos valores e costumes caraterístico desta região, intimamente associado às práticas rurais de vida coletiva e à necessidade de adaptação ao meio ambiente.
Sipam do Barroso
Os sítios GIAHS/SIPAM são sistemas agrícolas vivos, envolvendo as comunidades humanas numa relação intrincada com o território, com a paisagem cultural e agrícola, bem como com o ambiente biofísico e social.
O objetivo geral do Programa GIAHS/SIPAM é identificar e salvaguardar sistemas agrícolas mundiais e suas paisagens, biodiversidade agrícola e sistemas de conhecimento, estabelecendo um programa a longo prazo para apoiar estes sistemas e melhorar os benefícios globais, nacionais e locais derivados da conservação dinâmica, gestão sustentável e viabilidade fortalecida.
Património Imaterial
São várias as manifestações dignas de referência do património imaterial de Barroso. Este conceito, entre outros, abrange lendas, expressões culturais, tradições e festas. Elementos que constituem um imaginário ímpar, numa terra repleta de atrações.
As lendas – estórias e memórias, fortemente ligadas a crenças religiosas, com seus temores, terrores, profissões de fé e desejos de proteção divina, e passadas de geração em geração – constituem uma vasta e fascinante herança cultural. Em Montalegre destacamos a mística associada à ponte da Misarela, quer pelo “diabo” que a edificou, quer pelo mito da fertilidade em que está envolvida.
Ao longo dos meses estivais, de junho a setembro, inúmeras aldeias honram o respetivo padroeiro. De certo modo, podemos fazer uma relação entre as festas de inverno – magusto, sábado filhoeiro, entrudo – de cariz mais comunitário e as festas estivais, onde o religioso e o profano se interligam. Entre as muitas festas do concelho de Montalegre, destacam-se a Feira do Fumeiro e a Sexta 13 – Noite das Bruxas.
Património Arqueológico
O concelho de Montalegre guarda um património arqueológico de enorme riqueza e diversidade, testemunho da presença humana neste território desde tempos pré-históricos. Montalegre convida os visitantes a descobrir este património arqueológico de enorme riqueza, onde a história e a paisagem se unem numa experiência única proporcionando verdadeiras viagens ao passado.
O concelho era atravessado pela histórica Via Romana XVII, antiga estrada romana que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga, em Espanha). Ao longo do território subsistem marcos miliários e troços desta importante via de comunicação, fundamentais para compreender a presença romana na região.
A ocupação humana anterior à romanização é igualmente visível através dos numerosos castros e povoados fortificados da Idade do Ferro, como o Castro do Pedrário, o Castro de Grou e o Castro de S. Vicente, erguidos em locais estratégicos. Mais recentemente, a descoberta do acampamento militar romano do Alto Espinho, em Vilar de Perdizes, veio reforçar a importância histórica e militar do território de Barroso durante o período romano.
O património arqueológico de Montalegre inclui ainda dezenas de mamoas e necrópoles megalíticas dispersas pelas serras. Estes monumentos funerários milenares continuam a marcar a paisagem e representam um valioso legado das primeiras comunidades que habitaram a região.
Património Edificado
Montalegre tem proeminentes referências de património edificado. Estas, enquadradas num cenário idílico, garantem a identidade de um povo peculiar. Uma herança cultural única que se afirma como um forte marco na atração turística.
Ao longo do vasto território, surgem vários exemplares de casas tradicionais. Geralmente construídas em granito, têm paredes grossas, uma escada exterior e uma varanda coberta. Todavia, além destas construções, existe um número significativo de casas senhoriais, assim apelidadas face à exuberância da dimensão, arquitetura e anexos envolventes.
Em crescendo no que respeita à imponência de estrutura, surge o castelo de Montalegre, um dos mais belos e genuínos castelos de Portugal.
Solitário e quase espectral, situado ao fundo de um vale, em Pitões das Júnias, surge o Mosteiro de Santa Maria das Júnias. Supõe-se que remonte ao século IX, primeiro com a Ordem de S. Bento e, a partir do século XII, com a Ordem de Cister. Está cravado numa paisagem agreste, mas de grande beleza, cruzada por um ribeiro que, alguns metros à frente, se despenha numa idílica cascata, frente à majestosa paisagem da serra do Gerês.
História
A história de Montalegre perde-se no tempo e encontra-se profundamente ligada às origens do povoamento humano na região do Barroso. Os inúmeros vestígios arqueológicos espalhados pelo território, como antas, dólmens e castros, comprovam a presença de comunidades humanas desde a pré-história e testemunham a passagem de diferentes povos ao longo dos séculos.
A posição estratégica desta região de fronteira com a Galiza tornou Montalegre um território de grande importância defensiva durante a formação da nacionalidade portuguesa. Para proteger estas terras foram erguidas várias fortificações, entre as quais os castelos do Gerês, da Piconha, do Portelo e, mais tarde, o imponente Castelo de Montalegre, que ainda hoje domina a paisagem e constitui um dos principais símbolos do concelho.
Foi a 9 de junho de 1273 que o rei D. Afonso III atribuiu carta de foral à vila de Montalegre, fundando oficialmente a localidade e tornando-a cabeça das Terras de Barroso. Desde então, Montalegre consolidou-se como um importante centro histórico, administrativo e cultural da região, preservando até aos dias de hoje as suas tradições, identidade e património únicos.


































